Deus e a Dor

Onde está Deus quando eu sofro? Por que parece que Ele não se incomoda com a minha dor? Por que Ele permitiu que meu filho morresse? Por que logo meu pai foi acometido dessa doença devastadora? Onde está o amor de Deus no meio da dor?

Estas e outras perguntas semelhantes questionam a competência de Deus. Elas assolam o pensamento e atingem o coração das pessoas que sofrem. Se você ainda não as fez a si mesmo, certamente as fará um dia, quando se deparar com os golpes de uma dor mais profunda. Muitas vezes a dor é tão grande que não conseguimos pensar direito. Não conseguimos orar e temos que recorrer ao Espírito Santo que ora por nós com gemidos inexprimíveis. Seria Deus mesmo responsável por todas as coisas que nos acontecem?

O mundo está repleto de maravilhas. Basta observar um jardim na primavera, o céu pontilhado de estrelas, a diversidade de toda a criação. O mundo reflete a grandeza de Deus, como a pintura reflete o gênio do artista.

Seria Deus tão ruim a ponto de macular um mundo tão maravilhoso ao incluir nele a dor? A dor põe em questão nossas crenças mais básicas em Deus. Seria Ele competente e poderoso? Seria mais fácil respeitar a Deus e confiar nele se a dor não existisse?

Lembremo-nos de Jó um homem justo e temente a Deus que sofreu dores não merecidas. Se alguém merecia uma resposta sobre o problema da dor, este seria Jó. Mas nenhum pedido de desculpas acontece. Em vez disso, Jó recebeu uma lição de como pesquisar o Universo.  Leia Jó 38-41.

Temos que considerar o problema da dor como um problema de tempo e não de poder. Temos muitas indicações de que Deus não está satisfeito com o estado em que se encontra este mundo, certamente Ele está tão insatisfeito quanto nós. Ele não gosta da violência, do arsenal de guerra, do ódio, do sofrimento. E, um dia, Ele pretende fazer algo a respeito de tudo isso.

A questão da esperança é mencionada em todos os profetas na vida de Jesus e no Novo Testamento, ou seja, a espera por um grande dia em que um novo céu e uma nova terra serão criados para substituir os atuais. O apóstolo Paulo coloca o assunto desta maneira: “pois tenho por mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus ... Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora (Rm 8:18,19,22).

Vivendo nos “gemidos” da criação destes tempos podemos nos sentir como Jó: ‘‘...mas Deus conhece cada um dos meus passos, se Ele me puser à prova, verá que sairei puro como o ouro’’ (Jo 23:10). Fomos chamados para confiar em Deus, mesmo quando todas as evidências se avolumam contra Ele. Foi-nos pedido para crer em um Deus que controla o universo e que tem todo o poder, a despeito do que pode acontecer.

Não podemos cometer o engano de julgar a Deus pelo estado em que o mundo se encontra agora. Deus planeja um mundo muito melhor, um mundo sem dor, sem males, sem lágrimas e sem morte. Ele pede a nossa confiança nele e em seu poder para trazer-nos a nova criação.

Márcia Garcia

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